quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O destino do camaleão!

Tia Fulô era irmã do meu avô. Sabe aquelas velhinhas pretas, bem magrelinhas, que fumam cigarro de palha e andam de lenço na cabeça? Tia Fulô era uma delas. Eu sempre amei ir na casa da tia Fulô, porque ela fazia uma broinha de milho muito gostosa. Era solteirona, não tinha filhos e nem netos, mas fazia as tais broas que atraíam amigos e vizinhos a toda hora, era boa de prosa e adorava contar um causo de assombração. Jurava que o saci em pessoa tinha esfregado o cachimbo de sua mãe no fiofó, e também que ela já tinha corrido de lobisomens e mulas-sem-cabeça!
Um dia cheguei na casa dela e levei um susto, Tia Fulô tava com um tição (pedaço de lenha em brasas) nas mãos, deixando várias marcas pretas ao golpear as paredes branquinhas de sua cozinha.
_ O que é isso Tia Fulô? Tá caduca?
_ Caduca nada. Tô matando um camaleão!
_Como assim? Cadê o tal do camaleão? Tô vendo nada!
_ Tá ali, ó no canto! Bixo venenoso! Vem cá que eu te dou cabo!
_ Tia Fulô, aquilo é uma lagartixa! Tem nada de venen...

Nisso ela acerta um golpe na pobre lagartixa, que cai pra um lado e o rabo pro outro, se mexendo freneticamente!

_Tá vendo? O bixo é tão venenoso que mesmo morto ainda quer andar, ó! Ispia só o rabo!

Queria muito rir, mas corria o risco de levar uma tiçãozada e ter o mesmo fim da lagartixa...

2 comentários:

maria; disse...

minha família tem os seres mais bizarros da terra. tenho uma personal maísa nela, inclusive.

assim, medo.

Fernando disse...

eu quero ir na casa da tia fulô

tipo aquela simplicidade divertida!