domingo, 16 de novembro de 2008

Tempo bom que não volta nunca mais.

Depois de mais de uma semana, acho eu, sem computador, estou de volta ao mundo virtual nesse dia modorrento de domingo, quando olho pra janela e vejo as pessoas andando no Minhocão e lembro dos domingos da época que eu morava na roça.
Domingo costumava ser meu dia predileto. Acordava mais tarde e depois de dar comida pras galinhas, porcos e demais bichos do sítio era a hora de tomar banho e pôr uma roupa nova. Adorava vestir a roupa nova, embora ela não fosse pra sair no terreiro, ou era surra na certa. Mas aí, podíamos brincar dentro de casa, eu e meu primo mais velho, que sempre escolhia os brinquedos mais novos. Quando minha avó estava de bom humor, podíamos ir brincar com o Cafi, que era meu melhor amigo na época. Cafi era filho da hippie que morava no sítio da frente, e tanto ele como sua família foram responsáveis por muitos momentos de felicidade na minha infância. Eu e Cafi e o Nêgo, meu primo, brincávamos de playmobil, às vezes com nossos carrinhos a pilha, tudo com muito cuidado, pra não sujar a roupa e ganhar a surra prometida.
Depois disso, éramos chamados aos gritos pra almoçar. Ah! O almoço! Macarronada com bastante queijo ralado, galinha e tutu de feijão! Era o único dia da semana que podíamos comer carne em casa. Não que faltasse, mas durante a semana tinha que comer verdura. Depois do almoço, minha tia arrumava a gente e levava pra passear na Rua, como chamávamos o lugarejo mais próximo do sítio, Correia de Almeida.
Correia de Almeida, a Rua, parece uma cidadezinha cenográfia, com pracinha no meio e o resto tudo em volta. As crianças ficam brincando pela praça e de vez em quando são chamadas por um ou outro adulto pra fazer um mandado, tipo comprar cigarro, essas coisas que eles têm preguiça de fazer. Eu adorava fazer mandado pros outros, sempre rolava umas moedinhas. Depois de andar um pouco na praça íamos na casa das tias, onde sempre tinha café e broa de milho esperando por uma visitinha. Antes de escurecer tínhamos que voltar pra casa. Chegávamos, tirávamos a roupa nova, tomávamos banho e colocávamos o pijama. Me lembro q eu tinha um de flanela, com florzinhas azuis miudinhas, azuis, que eu adorava.
Hora da janta, de correr pra não ter que comer as costelas ou o pé da galinha, que provavelmente seria o que ia sobrar pra os retardatários. Víamos os Trapalhões, todos juntos e íamos dormir. A segunda-feira nos aguardava, junto com a contagem regressiva para um próximo domingo.

6 comentários:

val maria; disse...

eu tô me apaixonando cada dia mais pelo pequeno charlie.

Fravea disse...

eu colocava roupa nova prá ir no médico.
kkkkkkkkkkkkkkkkk

Gui disse...

Fui criança criado em prédio, mesmo que na praia, eu vivia confinado, como gado engordando pra crescer. Nao to reclamando, mas apesar de uma cidade pequena tipo cenografica, nao parecer interessante a primeira vista, fazia do seu domingo inesquecivel pro resto de sua vida. Beijus

Melissa Mell disse...

Aww, que fofo!
Gostoso ter tido infância, né?

Marcel disse...

Mentiroso!
Sempre me contou que gostava do domingo pq era dia de troca-troca com os primos!
hohohoho
Amocê
;)
Bjus

b disse...

Privilegiado vc.
Deu saudade da cozinha da minha avó, por onde as mulheres da casa se esbarravam prá matar, depenar,temperar e cozer as galinhas do quintal.
Canja com os ovinhos tirados de dentro da ex galinha.
Horta de temperos ao fundo do quintal e tudo o mais.
Seu texto me faz recordar.
Erva cidreira - eis o aroma da minha avó. Da infância, nossa! Que viagem a tua infância e aposto que teus domingos eram mais prazeirosos , lá.
Obrigada.