quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sobre os tempos de escola

Eu estudava em uma escola na zona rural de Barbacena, em uma localidade chamada José Luiz. Embora pra muita gente isso pareça uma coisa distante ou mesmo surreal, no tempo em que estudei ainda havia castigo corporal na escola. Aprendíamos entre reguadas, beliscões e puxões de orelha. Me lembro que quando a mãe me colocava na kombi da prefeitura ela falava pra minha professora:
_ Pode descer o cacete, por minha conta!
Eu estudava com o Nêgo, aquele que fumava escondido comigo. A gente tinha pavor de errar. Estudávamos em casa, fazíamos o dever e, quando chegávamos na escola era aquele medo. Será que íamos levar um puxão de orelha ou um cascudo?
O puxão de orelha doía mais na alma do que na orelha, na verdade. Ele nos tirava o direito de errar pra poder aprender. Dependendo da cara da professora ao corrigir nossas tarefas, ou ao perceber um comportamento um pouco inadequado, a gente já se encolhia e esperava o castigo.
Esse fantasma do puxão de orelha ainda me persegue até hoje. Tenho muito medo de errar, ou fazer algo que desagrade a alguém e levar um puxão de orelha. Ainda encontro por aí muitas professoras que preferem dar um puxão de orelha a ensinar o que é certo ou aceitar que você teve dificuldade em assimilar algo. Ainda me encolho, esperando o castigo que virá, de uma forma ou de outra. 
Estou aqui encolhidinho agora, vai doer... Eu sei que vai.

4 comentários:

Mi Camargo disse...

A gente nunca faz as coisas pensando em errar. Procuramos sempre acertar, ao menos, tentar fazer o que julgamos o certo.
Só que as vezes, não há certo, nem errado.... só pontos de vista diferentes... enlaçados por visões ambíguas das pessoas.

A dor não é (sempre)opcional, mas o 'desencolher' é.
Estica esse corpinho delicia e vem ser feliz, vem!
<3
sua pretinha.

Gi... disse...

Vc é lindo demais, Charlie. Domingo passado li seu blog todo e chorei.

Muito lindo, mesmo!

Sammy disse...

Chorei com esse post. Acho que todo mundo já se sentiu um pouco assim. Devo confessar que você me inspirou: estou escrevendo alguns textos sobre minhas memórias também.

Você é um fofo, adoro sua maneira sensível de escrever.

Sinn-Klyss disse...

Bebe água por essa aqui ...!
Prestem atenção nisso: “«Os goyim não-judeus só nasceram para nos servir. Sem isso, não têm lugar no mundo – só para servirem os judeus. (…) Porque são necessários os gentios? Eles vão trabalhar, arar e colher. Nós vamo-nos sentar como aristocratas e comer. (…) Com os gentios, será como com qualquer outra pessoa – eles precisam de morrer, mas Deus dar-lhes-à longevidade. Porquê? Imaginem que o nosso burro morre, perderíamos o nosso dinheiro. É o nosso servo… É por isso que têm vidas longas, para servir o Judeu.» (Ha´aretz)” —— Isso é a mais escrachada pulhice revelada do intento mais desgraçado que mina a Sociedade Humana.
Vamos ver isso à luz do que pregam:
Se no livro dos embustes está escrito que o deus conivente com ladrões nos despediu do paraíso para que trabalhássemos e comêssemos do suor de nosso rosto;por que então um canalha desse se arvora a ser o tal, e comer do nosso suor? Essa fala desse crápula só denuncia todos os vagabundos-parasitas mandantes-de-crenças, que usurpam tudo de nós.
Só pessoas que não têm índole de massacrar inocentes se livram disso, e saem das garras desses pulhas, que usurpam tudo de nós.